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Amanda
Nakao
Brasil
vivendo em Rio de Janeiro . RJ
26 anos . fotógrafa

Vim do interior para morar na cidade do Rio de Janeiro. Aprendi a apreciar a pequeninez e no Rio entendi que meu tempo era outro: sou slow. Demorei a entender até me acolher e me receber assim. Também aprendi a mergulhar fundo em mim através de novos conhecimentos como a biodanza e imersões com os saberes sagrados femininos. Todo esse envolvimento e desenvolvimento desaguou na minha percepção fotográfica e meu modo de trabalhar com a fotografia feminina. Primeiro coloco meu coração e depois vem a racionalidade. Acredito que para além de alinhar cabeça, olho e coração, como bem disse Cartier-Bresson, é preciso mesmo aprofundar na conscientização de quem somos e do que doamos para o mundo.

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Eu utilizo da fotografia como forma de potencializar minha expressão e suas vertentes manuais como coloração e bordado.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

A minha maior motivação para criar é despertar o meu melhor e o meu pior, evidenciando as minhas luzes e as minhas sombras, aceitando todas as possibilidades de me ser, para crescer. Exteriorizar e exorcizar as invenções pessoais e fotográficas para assim continuar no aprofundamento do autoconhecimento incessável e ao mesmo tempo gracioso.

// Como é o seu processo criativo?

Prática e disciplina. Fotografo todo dia algo do meu dia-a-dia, apuro as imagens que cliquei, me coloco um desafio por semana, mantenho a minha criatividade sempre produzindo de alguma forma: seja pintando, bordando, desenhando, vendo filmes, lendo, escrevendo, fotografando...

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
Amanda Nakao por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Medito todos os dias. Acredito que para manter algo sem deixar-se ser penetrada pelo bom e ruim dele, a gente precisa da equanimidade e com a meditação eu consigo chegar no sustento da criação.

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu absolutamente amo o meu projeto fotográfico nomeado de RUGIDOS UTERINOS, porque nele eu consigo exercer tudo que acredito dessa jornada. Conexão feminina, empoderamento, cura e potencialização do ser – meu e das mulheres que fotografo. É um projeto que nasceu da necessidade de falar de mulher para mulher, da essencialidade de estarmos juntas para compartilharmos nossos sabores e dores e poder partilhar disso tudo com o mundo através das fotografias e dos ensaios.

Ao mesmo tempo que eu curo e potencializo as mulheres que chegam no projeto através da arte, eu vou me curando e me potencializando junto numa reciprocidade quase que indizível.

O projeto tem se expandindo bastante e até conseguimos realizar uma exposição ano passado através do financiamento coletivo em um centro cultural no Rio de Janeiro.

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
Amanda Nakao por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

O momento decisivo foi me formar em Produção Cultural, no ano passado, e decidir que eu não queria trabalhar na área e sim continuar a me dedicar estritamente a fotografia. Ainda está sendo um momento de transição, então me encontro no meio de um momento “decisivo”, em que existem muitas questões sobre o mercado de trabalho e o futuro, embora eu sinta que quando estamos realmente no caminho certo e exercendo nosso propósito para o mundo, tudo se alinha e acontece de vivermos aquela palavra mágica de origem árabe “MAKTUB”, que significa “tinha que acontecer”.  Tenho vivido e sentido cada vez mais essa palavra.

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Tenho muitas influências na fotografia, no bordado, na aquarela. Mas sinto que sempre me inspirei (e não tinha me dado taaaanta conta até então) em várias vertentes da psicologia, devido a usar a fotografia como arte que cura e potencializa o ser, como arte-terapia.

Acredito que o movimento SLOW PHOTOGRAPHY em que sou fundamentada, comunica diretamente com o meu trabalho também devido ao meu modo de vida, completamente ao contrário do mundo contemporâneo e seu imediatismo.

Também sempre fui apaixonada pelo Salvador Dalí, que é de onde me motiva a fazer fotografias mais oníricas e surreais. A psicologia e o surrealismo refletem diretamente na forma como trabalho com as fotografias e os ensaios fotográficos sustentando no movimento slow.

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
Amanda Nakao por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Com certeza. Seja no mundo virtual com os retrocessos culturais, seja no mundo externo. Eu sinto isso o tempo todo nesses dois pólos, principalmente por trabalhar com o nu artístico.

// E o que te faz feliz?

Saber que ajudei meus clientes e as mulheres que chegam até a mim por conta da fotografia me eleva no grau mais potente que posso ter.

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Muita muita muita dedicação e desenvolvimento de uma estrutura emocional e física para não desistir do que amam. Acreditar que as criações são primeiramente um ato de prazer singular para depois se tornar algo coletivo.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim! Devido ao meu envolvimento cada vez mais aprofundado no Slow Photography, ampliei meus ensaios fotográficos para Polaroids e intervenções manuais em conjunto, como um modo de resgatar um tempo atrás em que éramos agraciadas com um movimento mais devagar e contemplação do mundo ao redor com mais aprofundamento.

Amanda Nakao por Projeto Curadoria
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