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Aline
Seelig
Brasil
vivendo em São Paulo . SP
29 anos . artista

Quase aos trinta, mas ainda me sinto uma adolescente, as descobertas são constantes e vivo de fases. Tive uma infância muito tranquila, cresci no interior de São Paulo, desenho desde sempre, aluna inquieta, só queria saber de desenhar e brincar.

Meus pais sempre me apoiaram em tudo que acreditavam que me faria feliz. Aos dezessete anos me mudei para São Paulo e cursei Design de Moda na Faculdade Belas Artes. Curso que não me identifiquei, mas foi nesse período que desenhei muito e comecei a trabalhar como ilustradora.

Vivi cinco anos na capital e foi uma época de muito aprendizado. Depois tive a oportunidade de viver em Barcelona e foi lá que realmente decidi que viveria de artes plásticas. Na volta para o Brasil comecei a encarar isso como minha profissão.

Em 2015 me mudei novamente para São Paulo, foi incrível, dessa vez fui conviver com artistas plásticos. Entendi como funciona esse universo, o processo de cada um, inclusive o meu e foi a primeira vez que vivi exclusivamente de arte. Não é fácil, um desafio diário. Mas estou feliz com minha escolha.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Quando o trabalho é comercial, costumo usar marcadores, tinta acrílica e spray. Quando desenho é livre, utilizo acrílica , aquarela e nanquim. Ultimamente o bordado tem sido uma descoberta.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Quando a escolha é viver de arte, a motivação chega ser uma questão de sobrevivência. Mas existem momentos que a arte é como uma terapia, quando termino, parece que acabei de me expor completamente e me sinto muito bem.

Minhas inspirações são as pessoas, o universo que me cerca e o momento que estou vivendo.

Acho que tudo vira inspiração, a música, lugares, viagens, comidas, natureza, papos de bar, dirigir, festas, esportes, amores e desamores, tudo isso me inspira. Na minha cabeça, uma sombra vira um personagem, uma gota vira um pássaro, um sentimento vira uma pintura.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
Aline Seelig por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Às vezes preciso desenvolver algo rápido, com prazo. Faço pesquisas, olho muitas imagens e coloco em prática aquilo que me foi pedido no briefing. Converso muito com meus clientes, busco entender o que realmente eles querem com meu trabalho, aonde posso tocá-los.

Meu outro processo criativo é completamente livre, faço o que estou sentindo, choro, sorrio, deposito minha energia na arte.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
Aline Seelig por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Acho que vivo fases mais criativas e outras menos, tudo isso depende do momento que estou vivendo.

Existem trabalhos comerciais, que o processo criativo é prático. Penso, enxergo o projeto pronto e faço.

Quando a cabeça esta tranquila, tudo fica mais fácil.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
Aline Seelig por Projeto Curadoria
// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Gosto dos trabalhos que de certa forma me transformam.

Meu primeiro trabalho remunerado na área foi ilustrar durante alguns meses para revista da Joyce Pascowitch, esse foi o começo, a partir disso fui apreendendo com o mercado, prazo e valores.

Minha tela querida é A Nossa Senhora, fiz num momento delicado, meu pai foi parar no hospital, eu estava vivendo fora do país e como agradecimento com a melhora dele, ela saiu naturalmente. Amo aquela tela.

Outro trabalho foi no museu de Lins, uma cidade no interior, estava vivendo uma fase conturbada, precisava daquele trabalho pra conseguir me mudar.

Mas em geral, adoro muitos trabalhos, em 2015 e 2016 experimentei muitas coisas, tive muitas experiências, difícil numerá-las.

O trabalho preferido é quando o cliente se emociona, quando eu fico satisfeita, essa é a maior gratificação que esse trabalho trás.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
Aline Seelig por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho incrível você expressar o que sente: desenhar, pintar, costurar, cantar, atuar, cozinhar e outra pessoa adquirir, “pagar” por isso.

Quando comecei a vender meus trabalhos, percebi que poderia viver fazendo o que gosto. Com o tempo fui amadurecendo meu traço, minha identidade. Isso foi decisivo para que eu escolhesse viver disso.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Pode parecer ignorância, mas procuro não me aprofundar no trabalho de nenhum artista em específico, sou completamente visual e facilmente influenciável, claro que pesquiso materiais, técnicas, estilo de arte.

Hoje convivo com vários artistas, aprendo com eles, existe uma aula diária, é só abrir os olhos e permitir absorver aquilo que te interessa.

Existem muitos artistas que admiro, respeito e observo.  Alias, nesse projeto só tem gente boa, andei olhando bastante.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
Aline Seelig por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Existe o preconceito em todas as áreas, essa é mais uma.

O meu trabalho agrada tanto homens quanto mulheres, o mundo é machista, antes de ser artista, você é mulher.

// E o que te faz feliz?

Quando estou conectada comigo, com a minha família e com meus amigos, isso me faz feliz.

A felicidade é inconstante, como a infelicidade também. Saber lidar com os altos e baixos já me deixa feliz.

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

Estou no processo. Mas o que não podemos ter é medo de encarar.

Ser artista plástica é como qualquer outra profissão. Exige disciplina, rotina e muita dedicação. Criar é a coisa mais livre que podemos ter.

Se fizer tudo isso, o retorno é garantido. Também estou me organizando.

// Você tem algum novo projeto em andamento?

Tenho alguns, um deles é de parcerias com escritórios de decoração, lojas e galerias.

Aline Seelig por Projeto Curadoria
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