m
Aline
Beuttenmüller
Brasil
vivendo em João Pessoa . PB
28 anos . designer . ilustradora

Bom, meu nome é Aline, ainda estou em crise com os recém-completados 28 anos, obviamente sou de peixes e acho que levo isso mais a sério do que deveria. Estudei design de moda e design de interiores, mas trabalho com design gráfico há uns bons anos. Sou diretora de arte em uma agência de publicidade e todos os meus projetos paralelos acabam envolvendo design e ilustração de alguma forma. Criei a 266 t-shirts para dar forma e aplicações às minhas ilustrações e fiz o zine “Meio poema, meio canção” com minha amiga e redatora Candy Ferraz, pra dar um calorzinho no coração entre as pautas da agência.

Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
// Quais ferramentas você utiliza para se expressar?

Tanto na ilustração quanto no lettering, papel, lápis e nanquim. Acabo usando o computador mais para o tratamento dessas imagens e também tenho me divertido com colagem digital.

// Qual sua maior motivação para criar? O que te inspira?

Sigo muitos ilustradores no Instagram e acabo recebendo informações visuais o tempo inteiro, então tenho tentado me inspirar um pouco fora disso. Com filmes, séries, ou pelo menos ilustrações de outras épocas e mais diferentes do que costumo fazer. Tenho visto muito sobre ilustração e design gráfico oriental, ilustração botânica, lettering e colagens.

Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
// Como é o seu processo criativo?

Caderninho, sempre. Tirando as colagens digitais que venho me divertindo um bocado fazendo, tudo o que faço começa no papel. Sempre começo à mão e trato digitalmente depois. Acho que ter a oportunidade e tempo de fazer dessa forma acabam deixando o trabalho final mais sincero, com a delicadeza e a leve falta de perfeição que só os processos analógicos permitem.

Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
// O que você faz no seu dia a dia para se manter criativa?

Meu trabalho diário exige isso, mas de forma pessoal eu sempre acompanho o Instagram e o Pinterest. Acho que são ótimas plataformas criativas, já que a gente acaba invariavelmente vendo várias formas de expressão e não de um segmento só, isso é importante.

// Quais os seus trabalhos ou projetos preferidos? Qual o motivo?

Eu gosto muito de um trabalho que acabei parando de fazer, não sei bem o motivo. Era o Draw About Love  - um tumblr com ilustrações das músicas de Belle & Sebastian. Foi uma época bem produtiva, criativamente falando, e que me trouxe um feedback bem legal, coisa que eu não havia recebido até então (só de gente próxima).

Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
// Você teve algum marco importante na sua carreira ou um momento decisivo? Como isso influenciou sua trajetória?

Acho que ter feito o zine "Meio poema, meio Canção", que começou de forma muito despretensiosa, minha e de Candy, só porque queríamos fazer algo além das nossas pautas na agência. Foi e tem sido muito legal. Pudemos mostrar nosso trabalho pra bastante gente, enviamos pra vários lugares do país, deixamos perdidos em algumas cidades e fizemos contato com mais pessoas através da primeira edição da Caixa Cosmo. É bem legal ver como uma coisa feita somente pra nos agradar acabou agradando e conquistando mais pessoas, e isso é um estímulo muito grande pra continuar investindo no meu estilo e nos meus gostos pessoais.

Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
// Quais são suas influências, inspirações ou artistas preferidos? Como isso se reflete no seu trabalho?

Eu nunca sei responder direito e os nomes me fogem sempre, mas acho que as coisas de Wes Anderson e Belle and Sebastian acabam me influenciando mais diretamente que outros artistas visuais de fato. De toda forma, admiro muito o trabalho de muita gente, como Laura Callaghan, Rachel Levit, Geraldine Georges, Brunna Mancuso, Pedro Nekoi, Mariana Valente, o pessoal do coletivo Criatipos… Não tenho muita certeza se influenciam como inspiração direta no resultado do trabalho (muito provavelmente sim), mas sei que influenciam de forma pessoal, de admirar e me dar vontade de conhecer outras técnicas e de me aprimorar no que eu faço como eles fazem.

Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
// Ainda existe algum preconceito em relação a mulher se expressar livremente? Você sente isso no seu trabalho?

Acho que sim. Apesar de, pessoalmente, ter sentido quase sempre o contrário (gente que me procura exatamente por causa do meu traço/estilo), sei que várias ilustradoras sofrem certo preconceito e tem seus trabalhos ou capacidade subestimados quando tem um estilo mais feminino ou delicado.

// E o que te faz feliz?

Domingos de manhã, tomar café com calma, ver os cachorros coçando as costas no chão, lençóis limpinhos, decorar a casa, cuidar das plantas, desenhar até doer a mão, ver coisas bonitas e, meu Deus do céu, comer, comer me faz muito feliz, haha...

// Quais dicas você daria para outras mulheres potencializarem suas criações?

A dica é para outras mulheres, mas também falo para mim:

Questione sempre - é essencial para a melhoria. Mas não duvide da sua capacidade nem do seu estilo, caso já tenha descoberto o seu. Procure melhorar sempre, mas tenha como base você própria. Ter como base a evolução de outra pessoa é injusto e frustrante, então nem faz sentido.

E aprenda a se gostar e gostar do seu trabalho, tudo é mais legal e verdadeiro quando feito com amor.

Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
Aline Beuttenmüller por Projeto Curadoria
// Você tem algum novo projeto em andamento?

Sim! Nessa leva toda de fazer as coisas com amor e querer mostrar meu trabalho para outras pessoas, acabei criando, com Candy Ferraz, a Feirica.

É uma feira independente de arte, moda, design e comidinhas que acontece de tempos em tempos aqui em João Pessoa. Nossa ideia é movimentar a economia criativa da cidade, que é ainda um pouco carente desse tipo de iniciativa, e criar uma conexão entre quem compra e quem faz. Vamos para a quinta edição e tem sido muito interessante e gratificante fazer. Conheci muitas marcas e produtores muito legais e que não tinham muito espaço pra expor seu trabalho. Muita gente que faz as coisas com muito cuidado e amor, muitas mulheres e mães que acharam no handmade uma forma de se expressar e ganhar dinheiro e espaço - cerca de 80% dos produtores são mulheres, de vários segmentos, idades e contextos. A resposta do público e dos participantes tem sido ótima e temos planos de aumentar e fazer novos formatos.

COMPARTILHE
b
//+entrevistas